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As boas pessoas


Existem três tipos de pessoas no mundo: as boas pessoas, as más pessoas e as pessoas mais ou menos. A maioria está nessa terceira categoria, embora almeje pertencer à primeira e tente cada vez mais afastar-se da segunda.

As más pessoas são aquelas que flertam com a ganância e a vaidade. Não sentem empatia e, portanto, não se importam em prejudicar os semelhantes, que elas nem veem como iguais porque afinal julgam-se muito melhores do que os demais seres humanos.

Andam pela vida com o único objetivo de satisfazer a si próprias. Cometem maldades, algumas pequenas outras impensáveis. São invejosas. Não desejam apenas ter o que o outro tem. Querem que o outro não tenha. Divertem-se com o sofrimento alheio. Impressionam pela desfaçatez porque conseguem fingir uma solidariedade que na verdade não sentem. Citam frases religiosas e muitas vezes até frequentam alguma igreja. Mas não praticam absolutamente nada do que ensina qualquer religião.

As pessoas mais ou menos formam a maioria dos humanos. São assim, sempre tentando ser melhores, mas esbarrando em obstáculos verdadeiros ou imaginários que as impedem de praticar tudo aquilo que desejam.

São sinceras, têm realmente intenção de tornarem-se seres humanos melhores. Sempre que possível ajudam alguém, seja individualmente ou em grupo. Colaboram com entidades de caridade. Mas preferem fazê-lo na forma de doação financeira e não de tempo. Sentem-se culpadas por não fazer mais, ao mesmo tempo em que sempre alegam falta de tempo.

Já as boas pessoas exigem um olhar mais atento. Porque as boas pessoas são simplesmente boas, quase um enigma. Talvez o que mais as diferencie seja a iniciativa. Não esperam que lhes peça, nem se oferecem para fazer; apenas agem. Sorriem mesmo quando se confrontam com uma dificuldade, porque parecem ter a certeza indelével de que irão encontrar uma solução.

Não sofrem da tentação de alardear as boas ações que realizam. Jamais fazem propaganda de si próprias. Possuem uma segurança inquebrantável, como se realmente soubessem estar no caminho certo. Sua bondade está em pequenos gestos, como sorrir a um estranho. E seja cedendo o lugar a um idoso no transporte público ou dedicando horas a um trabalho social o fazem com a mesma simplicidade de quem parece não perceber a importância do que realiza. Ou percebem, mas não conhecem outra maneira de agir que não seja a solidariedade.

Devem ser solitárias as más pessoas, vivendo sempre na expectativa da próxima maldade que trará algum sentido vil à sua triste existência. E devem ser esperançosas as pessoas mais ou menos, desejando ser melhores do que são.

E devem ser simplesmente felizes as boas pessoas. Quase sem necessitar de explicação.

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